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Pesquisador realiza estudo sobre a produção de orgânicos no Ceará

O consumo de orgânicos tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Em 2017, o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis) divulgou a primeira pesquisa do perfil dos brasileiros consumidores de orgânicos durante o 13º Fórum de Produção Orgânica e Sustentável, e mostrou que cerca de 15% da população urbana consome alimentos produzidos de forma sustentável.

É comum ver feirinhas de orgânicos e mercados dedicados à venda desses produtos em Fortaleza. Porém, o grande número de agrotóxicos liberados e o aumento da produção orgânica, que chegou a faturar R$ 4 bilhões em 2018, de acordo com o Organis, ameaçam a credibilidade da produção sustentável.

O cearense Felipe Alexandre de Lima realizou a pesquisa “Redes alternativas de produção de alimentos orgânicos no Ceará”, sob orientação da professora Daiane Neutzling, do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Fortaleza (PPGA/Unifor). A pesquisa investigou as dinâmicas de produção, comercialização e consumo de alimentos orgânicos e agroecológicos no Estado. “Nós analisamos o impacto da produção em termos de sustentabilidade, da esfera econômica social e ambiental”, enfatiza.

Após 68 entrevistas e muita pesquisa sobre dados já coletados, Felipe conseguiu resultados acerca das redes de orgânicos no Ceará. “Foram identificadas 13 Redes Alternativas de Alimentos: uma cooperativa, quatro feiras de produtores, quatro e-commerce, duas lojas e dois restaurantes especializados em alimentos sustentáveis”, aponta.

O curso de mestrado na instituição foi possível graças a uma bolsa que o aluno recebeu da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). A exigência de dedicação exclusiva ao mestrado aliada à dedicação pessoal de Felipe ao trabalho foram relevantes na qualidade do estudo, que, inclusive, já rendeu “bons frutos” para sua carreira acadêmica. O pesquisador concorreu à seleção internacional e foi agraciado com a oportunidade de realizar o doutorado em economia circular na Universidade de Kassel, na Alemanha. O projeto Retrace é financiado pela União Europeia. “Minha família está toda feliz. E eu também, mais ainda porque finalmente eu vi que o nosso esforço uma hora será compensado”, admite.

Polos de produção e comercialização

Mapeamento mostra que as vendas físicas estão concentradas nos bairros com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Fortaleza. — Foto: DivulgaçãoMapeamento mostra que as vendas físicas estão concentradas nos bairros com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Fortaleza. — Foto: Divulgação

Mapeamento mostra que as vendas físicas estão concentradas nos bairros com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Fortaleza. — Foto: Divulgação

O clima semiárido, característico do Ceará, não impede a produtividade dos agricultores de orgânicos. De acordo com o estudo, foi detectado um crescimento “de produção de alimentos orgânicos, agroecológicos e locais no estado”. Serra da Ibiapaba, o Cariri e o Maciço de Baturité são as principais áreas de geração de orgânicos. Já o Sertão de Sobral, o Sertão Central, o Litoral Oeste (ou Vale do Curu) e a Grande Fortaleza são regiões que estão em crescente desenvolvimento na produção desses alimentos.

Segundo a professora Daiane Neutzling, o estudo comprova que iniciativas como a das Redes Alternativas de Alimentos se constituem em alternativas com grande potencial para o desenvolvimento de sistemas agroalimentares mais sustentáveis no estado do Ceará. “Contudo, é primordial o fortalecimento das políticas públicas já existentes e o engajamento cada vez maior de empresas, consumidores e outras organizações buscando dar maior legitimidade a sistemas alimentares. Tudo isso baseado nos princípios de proteger a saúde e a vida de todos os atores envolvidos nestas cadeias”, ressalta.

Fonte: g1.globo.com

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